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Materia Revista

Atualmente, o Brasil é líder mundial no cultivo e exportação de café. São aproximadamente 287 mil cafeicultores, espalhados por 1.900 municípios e totalizando 2,22 milhões de hectares. O maior produtor é Minas Gerais, responsável por 56% da safra nacional, seguido por Espírito Santo, São Paulo, Bahia, Rondônia, Paraná, Rio de Janeiro, Goiás e Mato Grosso, que juntos respondem por 98,6% da produção nacional.

   

Apesar de ser tão popular por aqui, o café não é nativo do nosso país. Reza a lenda que, por volta do ano 800, um pastor da Abissínia (atual Etiópia) resolveu levar até um monge o fruto de uma planta que deixava o rebanho alegre e bem-disposto quando a ingeria. Ao experimentar a infusão, o religioso percebeu que ela realmente o ajudava a ficar mais tempo acordado. Dali para a frente, o café foi conquistando o norte da África, a Arábia Saudita e a Europa. Mas, de acordo com a história, foram os holandeses os responsáveis por sua disseminação no mundo. Primeiro, produziram nas suas colônias asiáticas (Java, Ceilão e Sumatra) e, depois, nas Antilhas Holandesas, na América Central.

 

No Brasil, o fruto chegou por Belém, no ano de 1727, contrabandeado pelo Sargento-Mor Francisco de Mello Palheta. Enviado à Guiana Francesa a pedido do governador do Maranhão e Grão-Pará, João de Maia da Gama, o oficial tinha uma missão específica: conseguir algumas sementes do fruto, que, já naquela época, possuía grande valor comercial. As nossas condições climáticas favoreceram o desenvolvimento da planta, que se espalhou rapidamente, passando a ser cultivada no Maranhão, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Minas Gerais. Em 1830, o café já era o principal produto exportado pelo país.

 

O café em pó (torrado e moído) ainda é o mais consumido, mas o paladar do brasileiro tem se aprimorado a cada dia, uma tendência notada a partir do final da década de 1990, com a difusão do segmento do tipo expresso. O contato com grãos puros, de qualidade superior, despertou a preferência da população pelo tipo “premium”. Enquanto o café tradicional tem crescido cerca de 2% ao ano, os cafés gourmet crescem em média 13%. Boa parte disso se deve à popularização da bebida em cápsulas, que, segundo a ABIC, deve aumentar mais de 100% até 2019.

 

O ritual de tomar um café está se tornando tão sofisticado quanto o de degustar um bom vinho. Na verdade, são muitas as semelhanças entre os dois. Assim como o vinho, a produção de um café gourmet também exige um processo meticuloso, da escolha do terreno à variedade, época do cultivo, a maturação, até as técnicas de secagem, torra e moagem. Tudo influencia no resultado final. Enquanto no vinho há as uvas de maior qualidade, as viníferas, e as de vinho de garrafão; no café as espécies são a Arábica, mais finos, e a Robusta, mais rústicos. Cabernet Sauvignon, Chardonnay, Malbec são algumas das denominações de castas de uvas; Bourbon, Catimorra, Mundo Novo, Caturra, Catuai, entre muitas outras, são exemplos de castas do café. O recipiente em que se bebe também é importante para preservar a qualidade e ressaltar as características de cada líquido. Apesar de clássicas, nem sempre as xícaras são a melhor escolha para o consumo do café. As taças permitem a apreciação total dos tipos mais cremosos, por exemplo. Como no caso dos vinhos, as taças permitem a liberação do aroma e a manutenção da temperatura ideal, tanto que o famoso fabricante de taças de vinho Riedel desenvolveu uma linha especializada com três opções para degustação de expressos de diferentes intensidades.

 

Existe um vinho particular que ressalta um prato especial, certo? O café também pode ser harmonizado com comida. Já experimentou tomar um cafezinho acompanhado com queijo? Pode até parecer estranho, porém o salgado dos queijos completa e balanceia os típicos amargor e acidez do café. E com carne? O nobre foie gras entrou na lista da combinação com o café do restaurante La Terraza del Casino, comandado por Paco Roncero, um dos maiores chefs da Espanha e dono de duas estrelas Michelin. Via de regra, carnes mais adocicadas e gordurosas equivalem à maciez e doçura natural da bebida. Quando se fala em doces, esqueça os recheados e com caldas, que escondem os sabores mais sutis de qualquer café. As sobremesas mais simples, como bolos, chocolates, muffins, panquecas e biscoitos é que formam o par perfeito. Quer testar uma combinação? Para brigadeiros, prefira um café bem encorpado e muito cremoso, com baixa acidez e notas de cacau; e para o tradicional bolo de laranja da vovó, escolha um suave, de baixa intensidade, boa acidez, baixo corpo e amargor e notas frutais.

 

 

Destaques da Rota do Café Verde

 

Para fazer um bom café, além de um grão especial e todos os apetrechos adequados, alguns fatores são fundamentais. Use água filtrada ou mineral, pois a água da torneira pode conter resíduos que comprometem a qualidade da bebida. Não deixe que a água ferva, porque isso pode alterar a acidez. O ponto correto é quando a água estiver com pequenas bolhas se formando. Despeje um pouco de água para umedecer o coador antes de passar o café. Não adoce a água, coloque açúcar somente após coado. Cuidado com a proporção de pó e água! Para fazer o tradicional café caseiro, a medida adequada é uma colher de sopa cheia de pó de café para 250ml de água. Despeje a água sobre o pó, lentamente e sem mexer com colher.

E que tal provar essa bebida e conhecer um pouco mais sobre a frutinha maravilhosa e sua importância no desenvolvimento do nosso país in loco? No Brasil existem vários “roteiros do café”. No Paraná, por exemplo, a Rota do Café possui 30 atrações em nove cidades diferentes, onde os turistas podem visitar fazendas históricas em atividade, pousadas, cafeterias, restaurantes e agroindústrias, uma experiência que mexe com sentidos e emoções. A Rota do Café Verde, no Ceará, começa na Estação Ferroviária de Baturité, que abriga o Museu Municipal, passando por diversos sítios, com casarões, trilhas e vistas de beleza única, que ficarão guardados na memória. O Vale do Café, no Rio de Janeiro, é composto por 15

   

municípios: Vassouras, Valença, Rio das Flores, Piraí, Engenheiro Paulo de Frontin, Paty do Alferes, Paracambi, Miguel Pereira, Mendes, Barra do Piraí, Pinheiral, Barra Mansa, Paraíba do Sul, Volta Redonda e Resende. Em 1860, o local foi responsável por produzir 75% do café consumido no mundo inteiro. Atualmente, é possível visitar antigas fazendas de café, senzalas, casas-grandes decoradas com o luxo em que viviam os barões na época, rodas-d’água e engenhos, entre outros patrimônios que vão acrescentar muita cultura à sua viagem. A Rota do Vale e do Café, no Espírito Santo, é repleta de construções antigas e belezas naturais. Destaque para as cidades de Muqui e Mimoso do Sul por possuírem casarios que remetem à época colonial. Em Minas Gerais,

Cuidado com a proporção de pó e água! Para fazer o tradicional café caseiro, a medida adequada é uma colher de sopa cheia de pó de café para 250ml de água.

 

a Rota do Café Especial, na Serra da Mantiqueira, guarda tesouros incríveis, como a Fazenda Sertão, em Carmo de Minas, com mais de 100 anos de existência e que produz os melhores grãos do país. Reserve tempo ainda para a Fazenda Pedra Redonda, na Serra do Brigadeiro, em Araponga; o programa Café Completo, na Fazenda Cachoeira, em Santo Antônio do Amparo; e o Roteiro dos Cafés Especiais, na Fazenda Capoeira, em Areado. Já em São Paulo, não perca o passeio de Trem Campinas-Jaguariúna, que utiliza os antigos trilhos da Companhia Mogiana. No caminho, visite a Fazenda Engenho das Palmeiras, datada de 1876, que serviu de cenário para as gravações da novela Rei do Gado, da Rede Globo, e possui móveis, lustres e outros objetos da época áurea do ciclo do café. Aproveite para conhecer a Fazenda Santa Cecília, em Cajuru; Fazenda Vila Rica, em Itatiba; Fazenda Mandaguahy, em Jaú; e Fazenda Nova, em Mococa. E, se estiver em Santos, o Museu do Café é seu destino certo. Instalado no edifício da antiga Bolsa Oficial do Café, é referência por contar a trajetória do grão no Brasil e no mundo. Suas exposições abordam detalhes que vão desde o plantio até a xícara, passando pelo mercado e curiosidades do grão.

 

O renomado irish coffee leva café quente e forte, uísque, leite condensado fresco e açúcar, delicioso para aquele clima mais friozinho.

   

Além de delicioso, o café também é muito versátil, pode ser preparado quente ou gelado como um drinque, ou mesmo em um prato principal. A caipirinha de café, preparada com limão, café expresso, cachaça, gelo e açúcar é surpreendente. O renomado irish coffee leva café quente e forte, uísque, leite condensado fresco e açúcar, delicioso para aquele clima mais friozinho. Para os mais ousados, um mignon suíno ao molho de café solúvel. Uma receitinha básica, muito rápida e fácil de fazer com carne de porco, café, açúcar mascavo, páprica picante, cebola, creme de leite, maionese e manteiga. É incrível! Finalizando, um merengue de café com farofa doce, preparado com café, calda de caramelo e claras em neve, servido com uma farofinha de manteiga, açúcar, pão e cacau em pó. Simplesmente fantástico!

 

Além de delicioso, o café também é muito versátil, pode ser preparado quente ou gelado como um drinque, ou mesmo em um prato principal.

   

CURIOSIDADE:

 

   

A cafeomancia é uma prática muito difundida entre os ciganos da Turquia e dos países do norte da África, para adivinhar o futuro através da leitura da borra de café que aparece na parede e no fundo de uma xícara, depois de bebê-lo. Mas esta é uma bebida diferente, realizada em uma caçarola chamada “cevze”, em turco, com um pó bem moído, tão fino como o açúcar de confeiteiro. Para cada xícara de água, utilize 2 colheres (de café) cheias na caçarola, adicione açúcar a gosto, leve ao fogo e mexa até começar a ferver. Retire a caçarola do fogo, mexa e retorne para que ferva uma segunda vez. O bom café turco é aquele que forma uma espuma sobre o café. Tome bem devagar, apreciando o sabor e dando um tempo para que o café se assente no fundo da xícara. Assim você não bebe o pó e sim o líquido. Deve-se sorver a bebida até quando começar a sentir a borra na boca. Como o pó é pesado, tenderá a decantar e ficar no fundo da xícara. Assim que terminado, balance o recipiente e algumas figuras se formarão na borda com a borra. Nesse ponto é iniciado o processo de leitura. Mesmo que você não consiga traduzir as imagens, é uma receitinha diferente para testar.

 

Café faz bem para a saúde

 

Além de delicioso, o fruto pode trazer benefícios à saúde. Estudo conduzido na Faculdade de Medicina de Southampton, no Reino Unido, e publicado no British Medical Journal – uma das mais importantes publicações britânicas – aponta que beber uma quantidade moderada de café todos os dias pode ser melhor para a saúde do que não ingerir a bebida. Segundo a pesquisa, o consumo de três ou quatro xícaras diariamente está associado a uma menor probabilidade de desenvolver problemas cardiovasculares como infartos e AVC. Também há uma associação positiva entre o consumo de café e um menor risco de desenvolver alguns tipos de câncer e doenças do fígado. Os especialistas alertam, no entanto, que mulheres grávidas ou propensas a fraturas ósseas devem evitar a ingestão de cafeína.