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Materia Revista

 

A primeira Capital do Brasil Colônia, entre 1549 e 1763, é repleta de história, tradições, cultura, belezas e uma musicalidade que encantam os viajantes. Formada por uma mistura de etnias, essa fusão está refletida por toda parte. Do rock de Raul Seixas ao tropicalismo de Caetano Veloso; do clássico samba de roda de Nelson Rufino ao revolucionário trio elétrico de Dodô e Osmar. Sem falar nas manifestações populares como o Ilê Aiyê, nascido em 1974, no Curuzu, na Liberdade. O sincretismo religioso retratado pelas inúmeras igrejas, templos, terreiros e a diversidade de crenças. Da Lavagem do Adro da Basílica de Nosso Senhor do Bonfim à festa de Iemanjá, no Rio Vermelho, passando pelo Terreiro Ilé Iyá Omi Asé Iyamasé, de Mãe Menininha do Gantois, todos os credos são respeitados.

“E, eu vou, meu coração palpitou Vou subindo a Ladeira do Pelô”*

 

O acervo arquitetônico e paisagístico de Salvador tem cerca de 3 mil edifícios construídos nos séculos XVIII, XIX e XX. Fundada sobre uma falha geográfica de aproximadamente 75 metros, a cidade está dividida em Cidade Alta e Cidade Baixa, que se comunicam pelas extensas ladeiras da região ou pelo Elevador Lacerda – uma obra do engenheiro baiano Antônio de Lacerda, concluída em 1873, que proporciona uma maravilhosa vista da Baía de Todos os Santos.

 

Nomeado Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO, desde 1985, o Centro Histórico de Salvador é um dos pontos turísticos mais procurados pelos visitantes. Formado pelo Pelourinho, o Terreiro de Jesus e a Praça da Sé, o local, que hoje fascina a todos por sua efervescência artística, seus casarões e um colorido singular, nasceu como espaço de castigo para os escravos.

 

Vale a pena ainda um passeio pelo Solar do Unhão (complexo composto pelo Solar, Capela de Nossa Senhora da Conceição, um cais privativo, aqueduto, chafariz, senzala e que sedia o Museu de Arte Moderna da Bahia com suas esculturas a céu aberto); o Palácio Rio Branco; o Mercado Modelo, tradicional centro de comercialização de produtos artesanais; o Museu de Arte da Bahia, instalado no Palácio da Vitória; o Museu Carlos Costa Pinto, que conserva a história da Bahia Colonial e Imperial; o Museu Rodin Bahia, também chamado de Palacete das Artes Rodin Bahia; o Museu Afro-Brasileiro, totalmente dedicado à cultura negra no Brasil; o Largo do Campo Grande, também conhecido como Praça Dois de Julho; a Praça Castro Alves; o Forte de Monte Serrat (São Felipe), uma das melhores obras militares do Brasil Colonial; e apreciar as esculturas de diversos Orixás no meio do Dique do Tororó, o único manancial natural da cidade de Salvador, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

Vá na tarde de terça-feira ao Pelourinho para assistir à missa afro na Igreja da Ordem Terceira do Carmo, às 18h, e fique para curtir uma apresentação cultural, que pode ser de balé a capoeira. Na sexta-feira, vista-se de branco e vá ao Bonfim, passe o dia por ali e termine na Ponta de Humaitá, para ver o sol se pôr.

Do Farol da Barra ao Jardim de Alah Eu também quero beijar”*

Com 50km de extensão, a orla de Salvador é uma das maiores do país. Com águas mornas e piscinas naturais, as praias soteropolitanas são ideais para surf, mergulho e muita diversão. O Porto da Barra é uma das mais conhecidas, possui areias grossas e ondas fracas e está cercada por fortes e diversas igrejas. Reserve um tempo para entrar no Forte de Santa Maria, transformado em Espaço Pierre Verger de Fotografia Baiana, com uma exposição permanente do fotógrafo; e também no Forte de São Diogo, e explore o acervo digital do Espaço Carybé das Artes. Stella Maris, com recifes e ondas fortes, é uma das mais agitadas, e suas dunas atraem os adeptos do sandboard. Já Amaralina possui um extenso calçadão para caminhadas e corridas. Os arrecifes do Farol da Barra são ótimos para o mergulho. Aproveite para conhecer o Forte de Santo Antônio da Barra, o Museu Náutico da Bahia e o Morro do Cristo.

 

No Flamengo, as areias finas e ondas fortes são point para a galera do surf. Itapuã – imortalizada na canção Tarde em Itapuã composta por Vinicius e Toquinho – possui uma paisagem belíssima, águas verdes, coqueiros e piscinas naturais. Jardim de Alah tem um imenso coqueiral e inúmeras atividades esportivas. Ondina é uma das mais frequentadas devido às suas piscinas naturais. Rio Vermelho é conhecida por sua agitação noturna e sua ótima gastronomia. Corsário abriga o Parque Metropolitano de Pituaçu, uma área de proteção ambiental. Mas, como todo litoral urbano, antes de entrar na água, certifique-se de que ela é própria para banho.

 

“365 igrejas a Bahia tem Numa eu me batizei Na segunda eu me crismei Na terceira eu vou casar com uma mulher que eu quero bem”*

 

Parece um exagero, mas só a capital baiana conta com 372 templos da religião católica. Não saia de lá sem conhecer essas preciosidades, que revelam tesouros dos séculos passados. Comece com uma das mais antigas, a Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia, datada de 1623. Observe os painéis de azulejos e altares neoclássicos da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. A Igreja da Ordem Terceira de São Francisco, construída em 1702, destaca-se por sua fachada em pedra lavrada. A Igreja do Santíssimo Sacramento, erguida no início do século XVIII, possui um ossuário impressionante. A Catedral Basílica é uma das mais ricas de toda a arte barroca luso-brasileira, revestida interna e externamente em lioz – um tipo raro de calcário proveniente de Portugal. E termine com uma das mais deslumbrantes, a Igreja e Convento de São Francisco, cujo interior é todo coberto em ouro.

“No tabuleiro da baiana tem: Vatapá, oi, carurú, mugunzá, tem umbu pra Ioiô”*

 

Azeite de dendê, leite de coco, frutos do mar, pimenta... A gastronomia baiana consegue uma fusão de sabores e aromas que conquista os paladares nacionais e estrangeiros. Entre os pratos tradicionais estão o caruru, vatapá, acarajé, bobó de camarão, moqueca e abará. As receitas dos tempos da escravatura como o Munguzá, um creme de milho branco, e o arroz de hauçá, preparado com carne-seca e camarão, também são bem marcantes. No Mercado de Sete Portas, a estrela é o mocotó. Nos restaurantes do Mercado Modelo, sarapatel, ensopados e vários pratos fritos são servidos regularmente. No bairro Mouraria, escolha qualquer barzinho no meio da rua e aprecie uma lambreta – o delicioso molusco que parece só viver por ali. Mas, se o seu dengo é o acarajé, siga para as baianas Dina e Regina, no Largo de Santana, bairro do Rio Vermelho; e Cira, em Itapuã, que são as mais famosas.

 

Depois de tudo isso, como disse muito bem o poeta Dorival Caymmi:

“Você já foi à Bahia, nega? Não? Então vá!”