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Materia Revista

 

Minha primeira viagem submarina foi a bordo do Nautilus, conduzido pelo Capitão Nemo. Devia ter uns 12 anos, quando embarquei nas Vinte Mil Léguas de Julio Verne. Nessa mesma época, meu pai percebeu o fascínio que aquele livro causara em mim e levou toda a família para conhecer um submarino de verdade, no cais do porto, no Rio. A imaginação foi a mil, e desde então passei a sonhar com mergulhos e encontros com os bichos mais incríveis que habitam o fundo do mar. No entanto, apesar da empolgação, demorei para colocar meus planos em prática. Somente em 1996, já morando em Brasília, tive a oportunidade de fazer meu curso de scuba.

 

Os primeiros mergulhos foram no Lago Paranoá. Não havia lugar mais barato para fazer o check- out, e eu tinha pressa. Estava ansioso para receber minha carteirinha de Open Water. Juntei dinheiro e alguns meses depois, fui estrear meus novos conhecimentos em Ilha Grande. Não encontrei muita vida, mas os poucos bichos que cruzaram a lente da minha máscara foram inesquecíveis. Lembro-me bem da euforia ao ver uma moreia verde entre os corais. Ali, ao vivo, teve o mesmo impacto da lula-gigante, que atormentava o Capitão Nemo e sua tripulação. Aquela moreia era real e, para um mergulhador neófito, assustadora também.

 

No ano seguinte, aproveitei o Carnaval e fui para o Recife. a capital brasileira do frevo, dos naufrágios e dos ataques de tubarão. Uma mistura esquisita, que rendeu boas histórias e uma nova agremiação nas ruas de Olinda: o Bloco do Dramin. Era folia noite adentro e mergulhos o dia todo. Foi em uma descida ao naufrágio Pirapama que aconteceu algo inusitado. A turma dos novatos caiu primeiro; e, minutos depois, alguém subiu afoito aos gritos de “tubarão, tubarão, tubarão...”. Enquanto os iniciantes subiam em pânico no barco, os mais experientes pulavam apressados no mar. No fim das contas, eram apenas rêmoras, mas aquela situação me deu um estalo: os tubarões não deviam ser tão maus como o sacana do Steven Spielberg pintou no cinema.

Pronto! Estava decidido! Do Recife em diante, estudaria e dedicaria boa parte do meu tempo a encontrar e registrar em fotos e vídeos os maiores predadores dos oceanos. Entre os destinos que descobri e pelos quais me apaixonei, estão Galápagos, no Equador; Isla del Coco, na Costa Rica; Arquipélago de Revillagigedo e Baja California Sur, no México; Ilha Kuredo, nas Maldivas; Fernando de Noronha; e muitos outros. Mas, para minha matéria de estreia na Revista Temporada Montreal, escolhi mostrar um pouco de uma pequena e charmosa ilha caribenha chamada Bimini, que fica nas Bahamas. Ou melhor, mostrar um pouco da vida surpreendente que suas águas cristalinas escondem.

       

Carlos Grillo nasceu em 1974, na cidade mineira de Ituiutaba. É empresário na área de Comunicação e Marketing e começou a se interessar pela fotografia influenciado por um tio materno, que lhe deu de presente uma câmera Rebel da Canon. Embora não seja sua profissão, a fotografia de natureza e de vida selvagem, em especial a fotografia submarina, acabou trazendo reconhecimento ao publicitário, e suas fotos ganharam prêmios de sites especializados como o ViewBug e National Geographic Brasil, além de publicações em veículos europeus como o jornal inglês Mirror e a revista espanhola Viajes National Geographic.

   

O domo de vidro da caixa que protege a câmera atrai o grande martelo. E ele vem que vem para cima dos fotógrafos. Acostumado com esse comportamento, já não sinto medo e até me divirto. Mas confesso que a primeira vez deu um frio na espinha. Essa foto, que tirei segundos depois de o tubarão atacar o equipamento, ganhou um concurso de leitores e foi publicada pela National Geographic.

 

O grande martelo é estrela máxima de Bimini. E é também um dos tubarões mais interessantes que já encontrei. Seu design é tão esquisito, mas tão esquisito, que às vezes fico na dúvida se ele é um dos bichos mais lindos ou mais feios que já vi na vida. Seja como for, nadar ao lado deles, sem gaiola ou qualquer outro equipamento de proteção, na maior harmonia, é uma experiência memorável.

 

Outro tubarão de respeito que frequenta as águas quentes da ilha de Bimini é o cabeça-chata – sim, aquele mesmo bicho mal-humorado e nervosinho que ataca os banhistas e surfistas na praia de Boa Viagem, no Recife. Acontece que, ao contrário dos irmãos brasileiros do litoral pernambucano, em Bimini os animais vivem em um ecossistema equilibrado e bem preservado.