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Materia Revista

 

O passeio não é exatamente uma novidade, mas ainda há quem se espante com a curiosidade demonstrada por um nicho cada vez maior de pessoas que incluem uma visita a um cemitério em seu roteiro turístico. O mistério e por que não dizer? – o medo primal que a morte, com sua certeza avassaladora, provoca nas pessoas atraem turistas de todos os tipos para uma experiência diferente e inusitada. Porém, mais que curiosidade sombria, esse tipo de passeio pode revelar diferentes aspectos culturais, obras sacras, histórias, lendas e superstições populares ligadas ao tema que povoa o imaginário humano desde o início dos tempos.

 

Vários países – o Brasil inclusive – disponibilizam visitas guiadas pelos jardins e catacumbas, onde se pode conhecer o lugar do descanso eterno de personagens históricos e ver a evolução da iconografia funerária.

 

Separamos para você algumas das mais famosas necrópoles do mundo. Os mais antigos estão na Europa e são considerados verdadeiras “galerias de arte tumular”. E aí, que tal ir além do óbvio e considerar a aventura?

 

Cemitério da Consolação São Paulo, Brasil

 

Fundado em 1858, o Cemitério da Consolação é um museu a céu aberto. O acervo teve início com a próspera aristocracia da cafeicultura e a burguesia paulista do século XIX, que impulsionaram o hábito de encomendar obras de arte de valor inestimável para enfeitar jazigos. Personalidades históricas como os presidentes da República Campos Sales e Washington Luís; Domitila Canto e Mello, a Marquesa de Santos; o Patriarca da Independência, José Bonifácio de Andrada e Silva; os escritores Monteiro Lobato, Mário e Oswald de Andrade; e a pintora Tarsila do Amaral estão enterrados lá. A administração da necrópole mantém visitas guiadas, por meio do projeto Arte Tumular, gratuitamente, às terças e sextas-feiras, somente às 14h. Para agendar visitas monitoradas e obter mais informações, envie email para assessoriaimprensa@prefeitura.sp.gov.br.

Catacombe dei Cappuccini Palermo, Sicília

Visitar os subterrâneos das Catacumbas dei Cappuccini requer um gosto mais explicitamente macabro, uma vez que os restos mortais são expostos pelas paredes, alguns pendurados em ganchos. Conhecido como “o lugar em que os mortos encontram os vivos”, é famoso desde o século 16 pelo processo de embalsamamento e preservação dos cadáveres. Um exemplo impressionante é o da menina Rosalia Lombaro, falecida em 1920, aos dois anos de idade, cujas feições permanecem quase inalteradas nos dias de hoje.

 

Père-Lachaise Paris, França

 

Um dos endereços mais visitados da Capital francesa, o cemitério Père-Lachaise ocupa uma área de 44 hectares com belos jardins e grande variedade de obras de arte em estilos barroco, gótico e neoclássico harmoniosamente distribuídos. No setor mais antigo da necrópole – inaugurada em 1804 –, 33 mil sepulturas estão listadas como “monumentos históricos”. O local recebe anualmente mais de três milhões de visitantes do mundo inteiro, que vêm atraídos pelas figuras ilustres que têm lá sua última morada. A lista é tão extensa que são oferecidos mais de 20 roteiros temáticos para aproveitar o passeio da melhor maneira possível. No Père-Lachaise estão os túmulos de Chopin, Rossini, Bellini, Allan Kardec, Jim Morrison, Yves Montand e Simone Signoret, Édith Piaf, Sarah Bernhardt, Honoré de Balzac, Proust, Modigliani, Pissarro, Georges Bizet, Molière, Oscar Wilde e os trágicos Abélard e Héloïse. Mais informações: br.france.fr/pt-br/informacoes/cemiterio-pere-lachaise.

Staglieno Gênova, Itália

Espalhado por uma área de mais de 1km², o Cemitério Monumental de Staglieno é um dos maiores da Europa. Foi inaugurado no século XIX, quando Gênova era um importante centro de estudos. É famoso por seus túmulos elaborados e esculturas de célebres artistas italianos como Leonardo Bistolfi, Augusto Rivalta, Giulio Monteverde e Edoardo Alfieri, que formam um imenso acervo ao ar livre. A obra mais emblemática é uma réplica do Panteão de Roma.

Okunoin Koyasan, Japão

Com mais de 200 mil sepulturas de monges, é o maior cemitério do Japão. Está localizado a 50km de Osaka, na encosta do Monte Koya. É o local mais sagrado de Koyasan, já que abriga o mausoléu de Kobo Daishi, fundador da seita budista Shingon, que, segundo as crenças locais, está em meditação eterna desde o ano de 835, esperando pela ressureição do futuro Buda. De acordo com o pensamento shingon, em Okunoin não há mortos, apenas espíritos. É um lugar de contemplação e oração muito importante para os japoneses, que esperam que os visitantes se comportem respeitosamente. Fotografias, alimentos e bebidas são proibidos.

Highgate Cemetery Londres, Reino Unido

O St. James Cemetery – conhecido pelo nome do bairro onde está localizado – começou a ser construído em 1839. Entre os túmulos famosos está o do filósofo Karl Marx, enterrado no setor reservado aos banidos pela Igreja Anglicana. Situado ao norte da Capital britânica, Highgate é um espetáculo da arquitetura gótica. Possui estilos temáticos, como a Avenida Egípcia e o Círculo do Líbano e, apesar de ter fama de mal-assombrado, ganhou rapidamente o status de atração turística.

 

La Recoleta Buenos Aires, Argentina

Famoso por abrigar figuras ilustres do país, é uma das atrações mais visitadas da Capital argentina. Está localizado no bairro nobre da Recoleta e é uma popular área de lazer entre os habitantes locais, graças à arquitetura neoclássica do cemitério, obras de arte e belos jardins que o rodeiam. Nenhum túmulo atrai mais curiosos que o da ex-Primeira-Dama Eva Perón, figura por quem os argentinos têm grande devoção.

 

Hollywood Forever Los Angeles, EUA

Personalidades do cinema, da música e grandes nomes das artes e da cultura norte-americana encontram seu repouso eterno no Hollywood Forever Cemetery, localizado no Santa Monica Boulevard, em Los Angeles, bem perto da Paramount Pictures, um dos principais estúdios de cinema dos Estados Unidos. Fundado em 1899, o lugar abriga estrelas como Rodolfo Valentino, Douglas Fairbanks, Tyrone Power e Jayne Mansfield; o cineasta Cecil B. DeMille; astros da música como o Beatle George Harrison e o roqueiro Johnny Ramone, que ocupa um mausoléu em formato de guitarra.